EXÍLIO

O QUE É O EXÍLIO?

exílio (do latim exilium banimento, degredo) é o estado de estar longe da própria casa (seja cidade ou nação) e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. Também pode-se utilizar as palavras, banimento, desterro ou degredo. Alguns autores utilizam o termo exilado no sentido de refugiado. (Wikipedia)

ARTIGOS

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Juscelino foi uma das principais figuras que foi condenado ao exílio, ficando três anos fora do país, sendo proibido até mesmo de descer na cidade que ele construiu, Brasília.

“Deixo o Brasil porque esta é a melhor forma de exprimir meu protesto contra a violência. Não posso deixar de confessar que viver fora do país, sem saber quando será possível o regresso, é o castigo mais cruel imposto a um homem que só pensava no Brasil”, escreveu a um amigo nos primeiros tempos do exílio.

O seu amigo pessoal e pessoa que sempre acompanhou sua vida política, coronel Affonso Heliodoro, afirma que Juscelino chegou as lágrimas quando ficou sabendo que teria de deixar a capital do Pais. O politico sempre pautou sua vida pública com amor ao seu país, por isso chegou a tentar o suícidio várias vezes durante o tempo em que este fora.

Seu amigo concedeu uma entrevista para este documentário falando um pouco sobre a vida política de Juscelino até o fim dela, quando foi duramente cassado em Julho de 1964.

fonte

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A intolerância do regime instaurado pelo golpe civil-militar de 1964 promoveu o exílio de inúmeros brasileiros nas décadas de 1960 e 1970, afastando e eliminando as diferentes gerações que lutavam por diversos projetos: reformas de base, revolução social, redemocratização. Embora distintos, a ditadura trataria a todos com intolerância, retratada pelo conhecido lema: Brasil, ame-o ou deixe-o.

Embora carregado da conotação de castigo e punição, o exílio não deixou de ser um incômodo para a ditadura. A condenação à mortedos presos trocados por diplomatas estrangeiros o expressava. Numa alusão à figura jurídica inventada pelos ditadores – o banimento – ficariam conhecidos como banidos. A tentativa de estigmatizá-los com palavra maldita daria lugar ao reconhecimento da prisão política. Livres no exterior, o estigma foi apropriado por esses homens e mulheres como evidência da existência de uma ditadura no Brasil. No exílio, poderiam encarnar a liberdade, a resistência, a contestação, a negação da negação.

O exílio dos anos 1960 e 1970 foi uma experiência vivida por duas gerações, a de 1964 e a de 1968. Para os exilados de 1964, o golpe foi o marco; para os exilados de 1968, o golpe que depôs o presidente S. Allende, em 1973, no Chile, é a principal referência. Esteve longe de ser uma experiência homogênea. As vivências foram as mais variadas, a começar pelo tipo de exilado: os atingidos pelo banimento; quem decidiu partir, não raramente com documentação legal por rejeitar a atmosfera na qual vivia; quem,diretamente, não era alvo da polícia política, mas se exilou ao acompanhar o cônjuge ou os pais; os diretamente perseguidos, envolvidos, uns mais outros menos no confronto com o regime; quem foi morar no exterior por outras razões que não políticas e através do contato com exilados, integrou-se às campanhas de denúncia da ditadura e já não podia voltar com tanta facilidade. Diferentes situações. Neste universo tão diverso todos são exilados.

Os exilados brasileiros jamais chegaram a expressar um fenômeno de massas como por exemplo no Chile, mas é impossível quantificá-los, sobretudo partindo de um conceito ampliado. A maior parte dos atingidos era da classe média, escolarizada e intelectualizada, embora evidentemente também tenha havido trabalhadores rurais, operários e pessoas com baixo nível de instrução. As origens e referências sociais foram importantes na vivência da experiência. O país de destino também se tornou elemento fundamental para a heterogeneidade das experiências dos exilados. A quantidade de países onde se esteve também. Continuar ou não ligado à militância política, embora redefinida, igualmente é um elemento a considerar. Além disto, o exílio é dinâmico, sempre em movimento, influenciado pelas circunstâncias, pelos acontecimentos e processos históricos. Por fim, embora da maior importância, os exilados viveram a experiência segundo suas características e personalidades.

Se o exílio expressou a derrota e a exclusão, significou também a ampliação de horizontes que impulsionou descoberta de países, continentes, sistemas e regimes políticos, culturas, povos, pessoas. Nele os exilados entraram em contato com outras trajetórias históricas e com outras referências. Formaram-se profissionalmente, experimentaram trabalhos qualificados e não-qualificados. Conviveram com o legado do Maio de 1968, o feminismo, a liberação sexual, as drogas, o questionamento dos códigos morais, as lutas das chamadas minorias, a crítica à social-democracia e ao socialismo realmente existente.

Neste processo marcado pela ambivalência de vivências e sentimentos, os exilados, em sua maioria, conservaram a dificuldade de compreender as complexas relações da sociedade com a ditadura e nesse sentido continuaram isolados. Predominou a interpretação segundo a qual o povo era simplesmente vítima do regime que o oprimia e o enganava. Seus valores não se identificavam com os da ditadura militar. O povo – ou a sociedade – como que por definição, opunha-se à repressão e aos valores e referências do regime que os expulsara. Os exilados mantiveram ainda, em sua maioria, a dificuldade de perceber o projeto modernizador-conservador em curso. Ao chegarem traziam uma visão do país e da sociedade um tanto desfocada, o que agravava o impacto da chegada.

Para além das continuidades, rupturas, ambivalências, o exílio foi essencialmente a metamorfose. A princípio pensado como curto, foi longo. A volta revolucionária na clandestinidade para enfrentar a ditadura virou uma volta consentida, no contexto da aprovação de uma lei formulada pela ditadura já no crepúsculo, mas que ainda conseguiu fazer valer a sua anistia sobre a desejada pelos exilados. Organizações e partidos políticos – reformistas e revolucionários – transformaram-se ou mesmo se dissolveram. A militância ganhou outro significado. A relação com o cotidiano foi reavaliada. Os valores mudaram. De culturas políticas diversas, mas marcadas pelo autoritarismo, transitou-se para a valorização, na verdade muito desigual, da democracia. O Brasil passou a ser visto de fora. As estreitas fronteiras nacionais ampliaram-se. Os exilados que no início tão orgulhosamente ostentavam esta condição, passaram a aceitar a de refugiado. A diversidade e a intensidade das experiências levaram a transformações. Assim, o exílio tornou-se essencial na redefinição das gerações 1964 e 1968. Os conceitos tradicionais de revolução e de reforma foram repensados e outra questão veio para o centro do palco: a democracia.

Entre o passado e o futuro, os exilados reavaliaram os projetos vencidos, abandonaram alguns de seus aspectos centrais, agregaram outros, reconstruíram caminhos e concepções de mundo, redefinindo-se a si mesmos entre o que deixavam para trás e o que viam diante de si, as tradições do passado, as novidades do presente e as contradições. Um país a ser redemocratizado.

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A França e os exilados brasileiros

Em 2005, um colóquio realizado em Paris reuniu vários pesquisadores que se dedicaram, nos últimos anos, ao estudo das causas e efeitos da ditadura militar sobre as relações entre o Brasil e a França.

Os temas da repressão e do exílio abordados em seus aspectos cultural, humano e imaginário, no período entre 1964 e 1979, mostraram que, apesar do clima negativo no qual os brasileiros eram forçados a deixar o país, o refúgio na França acabou deixando um rastro que explica a persistência do intercâmbio franco-brasileiro em certos setores.

Os primeiros exilados chegaram à França em 1964. A segundo onda foi em 1968, por causa do AI-5.   Capa: Editora HarmattanOs primeiros exilados chegaram à França em 1964. A segundo onda foi em 1968, por causa do AI-5.
Capa: Editora Harmattan

A professora de literatura, da Universidade Paris-Nanterre, Idelette Muzart, com a colaboração de Denis Rolland, fez uma coletânea dos trabalhos apresentados no colóquio e a publicou, pela editora Harmattan, em dois livros. Um focaliza a ditadura através de testemunhos e documentos, com o título  Brasil, dos governos militares e o exílio, 1964-1985 . O outro trata das características da vida dos exilados, com o título  Exílio brasileiro na França : história e imaginário .

Idelette Muzart salienta que o fluxo de exilados brasileiros na França não foi percentualmente muito elevado, mas foi alimentado em grande parte por intelectuais e artistas. A coordenadora editoral lembra que, naquela época, não existia uma cooperação bilateral equilibrada e foi por força das circunstâncias que ela se aprofundou. Um exemplo é a receptividade que existe até hoje nas universidades brasileiras em relação aos conhecimentos franceses. Segundo Idelette Muzart, isso se deve ao grande número de brasileiros exilados que fizeram seus doutorados na França.

Hoje, a cooperação cultural franco-brasileira independe da política. Para quem quiser conferir existe um novo site francês dedicado às culturas de língua portuguesa : Plural Pluriel. Essa revista, disponível unicamente online, em seu primeiro número faz uma homenagem ao dramatrugo brasileiro, Ariano Suassuna.

fonte

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Helenice Rodrigues da Silva

Os exílios dos intelectuais brasileiros e chilenos, na França, durante as ditaduras militares : uma história cruzada

[07/06/2007]
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Cartas entre JK e Tancredo Neves

Cartas JK-Tancredo pag. 70, 71

Cartas JK-Tancredo pag. 72, 73

Cartas JK-Tancredo pag. 72, 73

Cartas JK-Tancredo pag. 74

Cartas JK-Tancredo pag. 74

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